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Onde tudo começou

O cooperativismo nasceu junto com a revolução industrial, quando também surgiram os problemas sociais dos tempos modernos. Nessa época, os operários, inclusive mulheres e crianças, trabalhavam até 18 horas por dia, moravam em casas sem o mínimo de conforto e pagavam muito caro pelo que comiam e vestiam.

Em novembro de 1843, operários tecelões de Rochdale, cidade da grande Machester, na Inglaterra, uniram-se para descobrir um meio de fugir à ameaça iminente da miséria. Vinte e oito homens “ os probos pioneiros”, como ficaram conhecidos, fundaram, então a primeira cooperativa de consumo, que recebeu o nome de Rochdale Equitable Pioneers/ Society Limited, situada à Toad Lane 31 ( beco do Sapo ), lançando a semente do sistema econômico do cooperativismo.
Em 21 de dezembro de 1844, o grupo inaugurou um armazém cooperativo para oferecer aos sócios pequenas quantidades de manteiga, açúcar, farinha de trigo e de aveia e, posteriormente, fumo e chá.
 
Esse é o marco da origem do cooperativismo, com as mesmas características e princípios até hoje seguidos.
A organização dos pioneiros foi motivo de deboche dos comerciantes vizinhos. Entendiam que aquele armazém cooperativo, tão diferente do sistema tradicional, não prosperaria.
No final de 1849 a quantidade de sócios já subia para 392 membros. Em 1850, a sociedade construiu um moinho cooperativo.
Dez anos depois do inicio das atividades da cooperativa, já eram 1.400 cooperados e já haviam sido instaladas duas fiações.

Destaques da história do cooperativismo no Brasil

Os primeiros registros de trabalho baseado na cooperação, no Brasil, datam do período colonial, com as missões dos jesuítas. No fim do século XIX, surgiram as primeiras cooperativas formalizadas, principalmente no sul e sudeste, no setor de consumo entre funcionáiros de empresas públicas e nos ramos agrícola e de crédito rural com os imigrantes europeus e asiáticos, que trabalhavam em sistema e ajuda mútua para enfrentar as dificuldades de uma terra estranha.
O cooperativismo sempre ressurge em períodos de crise. É uma forma de organização econômica entre as pessoas, para amenizar os problemas sociais. Nos anos 30, a Grande depressão e a crise do café levaram o governo Getúlio Vargas a estimular as cooperativas e criar a primeira lei para regulamentar e fiscalizar o seu funcionamento.
 
Nos anos 50, sob o ritmo desenvolvimentista do presidente JK, novas cooperativas surgiram, as centrais se fortaleceram e houve até a tentativa de unificar o movimento, mas que não avançou.

O golpe militar, em 1964, acirrou o controle do governo sobre o cooperativismo. Foi criado o Sistema Financeiro Nacional, que quase extinguiu as cooperativas de crédito mútuo abertas à população. Por outro lado, os militares incentivaram as cooperativas agrícolas como questão de segurança alimentar .

No início da década de 70, com os esforços do secretário da agricultura de São Paulo, Antonio José Rodrigues Filho, e o apoio do ministro da Agricultura, Luiz Fernando Cirne Lima, o cooperativismo se unificou na Organização das Cooperativas Brasileiras ( OCB). Em 1971, foi promulgada a Lei 5.764 que, entre outras regras, exigia que todas as cooperativas se registrassem previamente no Conselho Nacional do Cooperativismo. Apesar disso, a lei reconheceu a OCB como representante do movimento no País e definiu as relações entre os cooperados e a cooperativa, o chamado Ato Cooperativo. Com o fim da ditadura militar e a promulgação da nova Constituição, em 1988, o cooperativismo se livrou do controle estatal, iniciando a autogestão.

Antes do plano Real, nos anos 1980/90, o país passou por crises na economia, com inflação galopante, graves reflexos na agricultura e aumentos sucessivos no índice de desemprego. Muitas cooperativas agrícolas sucumbiram e, no meio urbano, as de trabalho e de crédito surgiram como alternativa pra os trabalhadores driblarem as dificuldades econômicas. Para aprimorar e profissionalizar a autogestão das cooperativas, o governo criou, em 1998, o Serviço Nacional de Aprendizagem do cooperativismo ( Sescoop ). Órgão do Sistema S, o Sescoop oferece ás cooperativas programas de formação, promoção social e monitoramento, em ações com cooperados, funcionários e também jovens, preparando-os para assumir a gestão do cooperativismo no futuro.

 

 

 

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